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Textos > História da Educação Física > ASSUNÇÃO, W. R. SCHNEIDER, O. SILVA, A. F. OLIVEIRA, A. S. F. A Associação Cristã de Moços e a difusão do americanismo no Brasil (1932-1950). In: XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011, Vitória. Educação Física nas políticas públicas: trabalho e gestão integrada. Fortaleza: Itarget, 2011. v. 1. p. 1-5.

ASSUNÇÃO, W. R. SCHNEIDER, O. SILVA, A. F. OLIVEIRA, A. S. F. A Associação Cristã de Moços e a difusão do americanismo no Brasil (1932-1950). In: XI Congresso Espírito-Santense de Educação Física, 2011, Vitória. Educação Física nas políticas públicas: trabalho e gestão integrada. Fortaleza: Itarget, 2011. v. 1. p. 1-5.




A ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS E A DIFUSÃO DO AMERICANISMO NO BRASIL
 (1932 – 1950)

Wallace Rocha Assunção (UFES/CEFD/PROTEORIA)

Omar Schneider (UFES/CEFD/PROTEORIA)

Anderson de Freitas Silva (UFES/CEFD/PROTEORIA)

Antônio Sérgio Francisco Oliveira (UFES/CEFD/PROTEORIA)

Apoio FAPES

Resumo: analisa a presença da Associação Cristã de Moços (A.C.M) no Brasil e seu papel na difusão do americanismo. Utiliza periódicos da área de Educação Física publicados entre os anos de 1932 e 1950. Embora a A.C.M não possa ser entendida apenas como lugar de difusão da cultura americana, o americanismo circulou em seus espaços e ali foi apropriado por seus membros e pessoas ligadas a instituição.

INTRODUÇÃO

Este trabalho busca compreender o papel exercido pela Associação Cristã de Moços (A.C.M) na circulação e na apropriação (CERTEAU, 1991) doamericanismo no processo de constituição da Educação Física brasileira entre as décadas de 1930 e 1940. O americanismo é entendido como movimento político-cultural que nasce nos Estados Unidos da América pela apropriação de outros padrões culturais e que posteriormente é oferecido como síntese da modernidade econômica, política, educacional e industrial para as outras culturas.

A proposta desta pesquisa surge do interesse em compreender os padrões culturais que circularam a partir da segunda metade do século XIX e que contribuíram para a constituição do arcabouço teórico e prático da Educação Física no Brasil. É importante mencionar que este estudo é parte integrante de um projeto maior intitulado A Constituição de Teorias da Educação Física no Brasil: o debate em periódicos do século XX, que tem como objetivo a construção de um itinerário de sistematização da(s) teoria(s) da Educação Física brasileira do século XX. Tal projeto, desenvolvido pelo PROTEORIA – Instituto de Pesquisa em Educação e Educação Física – busca captar as características científico-pedagógicas dessas teorias, tendo como referência sua inserção, limites e contribuições para a implantação e consolidação da Educação Física como componente curricular nas escolas, tendo como fontes históricas os periódicos da área da Educação Física.

A A.C.M. teve sua origem na Inglaterra, no início do século XIX durante a Revolução Industrial. Preocupado com o bem estar da sociedade, devido às precárias condições de vida, quando não havia lazer, uma vez que as jornadas de trabalhonas novas indústrias chegavam a16 horas de trabalho diárias, tanto para homens quanto para mulheres e crianças, indistintamente, George Williams funda, em seis de junho de 1844 a Young Men's Christian Association ou Y.M.C.A., sigla que se torna bastante usada para mencionar a instituição. O trabalho teve início com a leitura de textos bíblicos, a fim de levar uma mensagem de caráter moral elevado à juventude que se aglomerava na cidade em busca de trabalho, além de proporcionar a integração e confraternização dos jovens. Em 1851, quando a A.C.M.chegou aos Estados Unidos, os jovens ganharam um incentivo ainda maior, já que, em solo americano, a instituição uniu os benefícios da prática esportiva ao desenvolvimento de valores do caráter e do espírito.

No Brasil, o fundador da A.C.M.foi Myron August Clarkque, vindo dos Estados Unidos, tomou para si a missão de disseminar a Associação na América Latina, iniciando seu trabalho de implantação das A.C.M. no Rio de Janeiro, em 1893. Em 1901 surge a A.C.M.Rio Grande do Sul e um ano mais tarde, a A.C.M.São Paulo. Fundada em 1900 a A.C.M. de Montevidéu, no Uruguai, desempenhou importante papel, contribuindo para o desenvolvimento da Educação Física no Brasil, pois muitos técnicos esportivos e instrutores de Educação Física brasileiros fizeram cursos de formação técnica nesse núcleo da A.C.M.

METODOLOGIA

Elegemos como fontes históricas os periódicos Educação Physica (1932–1945), Revista de Educação Física (1932–1950), e Revista Brasileira de Educação Física (1944-1950). Utilizamos a noção de circularidade cultural (GINZBURG,1987) para o desenvolvimento da pesquisa com o repertório conceitual da microhistória; as reflexões de Jacques Le Goff (2003) e Fernando Catroga (2001) são referências para compreendermos a construção da memória e do esquecimento referentes à circulação e apropriação das prescrições e usos dos possíveis modelos americanos no Brasil. Ao percebemos a colaboração de professores e instrutores – alguns oriundos dos Estados Unidos – vinculados à Associação Cristã de Moços, instituição que introduz o basquetebol e o voleibol no Brasil, procuramos por indícios que mostrassem essa instituição como um lugar de difusão da cultura e de valores americanos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Utilizando como instrumento de pesquisa o Catálogo de periódicos de educação física e esporte (1930 – 2000) (FERREIRA NETO et alli, 2002) para localizar matérias sobre a A.C.M. e também diretamente nas páginas das revistas para localizarmos anúncios, e imagens sobre essa instituição. Com base nessa busca construímos o Quadro 1 que mostra a presença da Associação Cristã de Moços em alguns periódicos:

Revista

Artigos

Anúncios

Revista de Educação Física

-

1

Educação Physica

10

6

Revista Brasileira de Educação Física

2

-

Quadro 1 – Revistas de Educação Física

Queremos ressaltar a presença de dez artigos sobre a A.C.M. na revista Educação Physica e a ausência desses artigos na Revista de Educação Física, editada pela Escola de Educação Física do Exército, onde encontramos apenas um registro fotográfico das atividades da A.C.M. (ASSOCIAÇÃO. 1935, p. 26, 27) que consideramos como um anúncio promocional.  Além dos dez artigos que tratam diretamente da A.C.M., encontramos seis anúncios, o que demonstra uma forte presença que extrapola os artigos que tratam diretamente sobre essa instituição. Schneider e Ferreira Neto (2008, p. 14) nos chamam a atenção ainda para o seguinte fato: “[...] quando observamos o número de colaboradores que são designados pelos editores como aqueles que dão suporte ao impresso, percebemos que, dos 33 que são apresentados aos leitores, 14 possuem algum tipo de ligação com a Associação Cristã de Moços (A. C. M.) [...]”. 

Tantos colaboradores ligados à A.C.M. poderiam nos levar a pensar que, a princípio, a A.C.M. seria um lugar de difusão de valores e representações americanas; entretanto, é preciso nos precaver com relação a um julgamento precipitado, pois:

A simples presença de americanos ajudando a compor o grupo de colaboradores que dava suporte ao impresso, ou professores formados em uma instituição com forte presença norte-americana não caracteriza a revista como um veículo de divulgação dos ideários ou representações norte-americanas a respeito da produção do ‘homem novo’, pois muitas das imagens, tanto iconográficas como discursivas, remetem para a Alemanha, e mesmo a representação que esteticamente representava o ‘homem novo’ fazia parte do ideário nazista em que o biótipo era o do homem europeu caucasiano (SCHNEIDER; FERREIRA NETO, 2008, p. 14). 

Entretanto, se a presença de colaboradores americanos ou de brasileiros que tenham feito cursos de capacitação nas A.C.M. não implicadiretamente na difusão da cultura e de valores americanos, precisamos admitir que o fato de que essa instituição foi trazida ao Brasil por um americano já traz implícitas representações americanistas que contribuem para que, no ambiente da instituição e em tudo que a ela seja relacionado, circule algo da cultura americana. Apoiamos-nos também no texto de Linhales (2006) que relaciona a A.C.M. à Associação Brasileira de Educação no que tange à esportivização da Educação Física escolar. Segundo essa autora, a partir de 1929 a Associação Brasileira de Educação estreitou o diálogo com a A.C.M. e com a Associação Cristã Feminina, junto às quais, professores e praticantes de esportes realizavam cursos de “curta duração destinados à formação profissional em educação física” (LINHALES, 2006, p.107)

Gostaríamos ressaltar a presença de anúncios publicitários da A.C.M. na revista Educação Physica que, embora não sejam numerosos, os seis anúncios identificados, quatro de página inteira e dois de duas páginas, trazem implícitos o elemento esportivo que a Associação absorveu quando de sua implantação nos Estados Unidos e que desse país foi difundido pelos países do continente Americano. No anúncio veiculado nas edições n. 40 e n. 78, vêm-se o triângulo emblemático que compõe a logomarca da A.C.M. com suas linhas preenchidas com imagens que remetem às atividades proporcionadas pela entidade, incluindo-se aí as atividades físicas.

CONCLUSÃO

Os indícios encontrados nos levam a inferir que, se a princípio a Associação Cristã de Moços não pudesse ser compreendida como um lugar de difusão do americanismo no Brasil, as práticas ali difundidas, especialmente o basquetebol e o voleibol, por terem sido criadas nos ginásios dessa instituição nos Estados Unidos da América, carregam de forma intrínseca, valores e traços culturais que foram apropriados, re-significados e inseridos em outras práticas pelos brasileiros.

A difusão da cultura e de valores americanos é uma via de mão dupla, resultado tanto de um projeto expansionista americano, inspirado no pan-americanismo de inspiração monroísta,[1]quanto no anseio por modernidades que, se fazendo visível a partir dos Estados Unidos da América e das instituições a eles ligadas, inspiram tanto o Brasil quanto outros países da América Latina. Esses países voltam suas atenções e aspirações para o resultado das disputas que produziram a hegemonia interna americana, considerada síntese da modernidade e, a partir do que se torna visível, buscam produzir também sua própria hegemonia, num período em que as identidades nacionais ainda se encontravam em construção.

Discussões sobre a presença do americanismo na constituição da Educação Física brasileira ainda não figuram como interesse de muitas pesquisas, ou seja, não estão presentes na construção da memória dessa disciplina. Apesar de a A.C.M. ser uma das instituições que fazem veicular o ideário americanista, ainda não é compreendida como uma das grandes instâncias responsáveis pela formação de muitos professores nas décadas de 1930 e 1940 e da vulgarização de um ideário esportivo no Brasil. Podemos supor que parte do desinteresse pela história da A.C.M. e sua relação com o americanismo esteja vinculado ao fato de os Estados Unidos não possuírem um sistema de Educação Física propriamente dito, podendo-se apenas considerar que o modelo empregado era de caráter esportivizante, havendo sido apropriado da forma como era empregado na Inglaterra.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO Cristã de moços. Revista de Educação Física. Rio de Janeiro, ano 4, n. 26, p. 26-27, set. 1935.

CATROGA, Fernando. Memória, história e historiografia.Coimbra: Quarteto Editora, 2001.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 3. ed. 3. Petrópolis: Vozes, 1998.

FERREIRA NETO, Amarílio; SCHNEIDER, Omar; AROEIRA, Kalline Pereira; SANTOS, Wagner dos; BOSI, Fabiana. Catálogo de periódicos de educação física e esporte (1930 - 2000). Vitória: PROTEORIA, 2002. 1 CD-ROM. 

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

LINHALES, Meily Assbú. A escola, o esporte e a “energização do caráter”: projetos culturais em circulação na Associação Brasileira de Educação (1925-1935). Belo Horizonte. 2006

SCHNEIDER, Omar; FERREIRA NETO, Amarílio. Americanismo e a fabricação do homem novo: circulação e apropriação de modelos culturais na revista Educação Physica (1932-1945). Movimento, Porto Alegre, v. 14, p. 135-159, 2008.

WARDE, Mírian Jorge. Americanismo e educação: um ensaio no espelho. São Paulo em Perspectiva,n.14. São Paulo, 2000.



[1]
Forma norte-americana do pan-americanismo. Fundamenta-se no predomínio dos Estados Unidos sobre os demais Estados americanos, o que diverge do bolivarismo, que pregava a igualdade entre as nações.

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Prévia do artigo FREITAS, L. L. L. de; SCHNEIDER, O.; FERREIRA NETO, A. Hollanda Loyola, produção e circulação de saberes escolares: infância e Educação Física (1938-1944). In: VIII Congresso Luso Brasileiro de História da Educação, 2010, São Luiz, MA. Infância, juventude e relações de gênero na História da Educação. São Luiz, MA: UFMA, 2010. v. 1. p. 1-19. SCHNEIDER, Omar; FERREIRA NETO, Amarílio. Estratégias editoriais, enciclopedismo, produtos e publicidade na revista Educação Physica (1932-1945). Revista Movimento, UFRGS, v. 10, n. 3, p. 23-52, 2004. Próximo artigo
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